12 janeiro 2020 - 22:35
Filipe Moreira: «Vilafranquense mostrou que queria incomodar o Mafra e conseguiu»
Treinador exaltou a personalidade e reação ao "soco" do 1-0
Filipe Moreira fez o rescaldo do empate do Vilafranquense (1-1) no terreno do Mafra, em jogo a contar para a 16ª jornada da Segunda Liga.
No início do campeonato, o Vilafranquense esteve horrível. Pagámos uma fatura muito grande ao começarmos esta época. Se continuássemos na prespetiva que tínhamos, o Vilafranquense não conseguiria alguma vez mostrar um futebol de qualidade. Sentámo-nos depois do findar das inscrições, começámos a ser uma equipa com identidade e princípios. Se calha há 8 ou 9 semanas, à exceção da última semana com o Varzim, temos demonstrado um futebol de qualidade e positivo.
Sobre o jogo
Gostei de ver em Mafra as gentes daqui a verem a sua equipa, a apoiar o seu clube e de ver novamente o Vilafranquense a ter os Piranhas com eles. Há muito tempo que isto não acontecia. A última vez foi o campo do Casa Pia. Quando acontece ter a claque de um lado e do outro, o campeonato do jogo começa. Assistimos a um grande jogo. As duas equipas respeitaram-se. Houve períodos em que fomos superiores e vice-versa. Senti como treinador que estava a conseguir descaracterizar o futebol do Mafra, com aquele envolvimento e posse de bola. O Mafra não estava a consegui-lo. Senti que os estávamos a incomodar e a complicar a vida ao Mafra. O Diego Medeiros é um grande jogador, tem de estar noutro palco, tal como o Tavares e o Zé Tiago. São jogadores de qualidade. A nossa equipa poderia ter sentido esse foco, mas com a toda a sinceridade, a equipa demonstrou personalidade, continuou no jogo, mostrou que queria incomodar o Mafra e conseguiu criar problemas. Fomos para o intervalo a perder 1-0.
Entrámos melhor na 2ª parte, a controlar o jogo. O Mafra deixou ou não conseguiu controlar, a interpretação é para quem quiser analisar o jogo. Num determinado período, arriscámos e fomos felizes. O Wilson entrou e marcou. Depois o Mafra teve, na parte final, poderia uma ou outra vez fazer o golo.
No cômputo geral, o Mafra teve algumas oportunidades, tanto na primeira parte como na segunda, tal como o Vilafranquense. Nisso equivaleram-se mas na posse de bola e controlo do jogo, nós sentimos que estávamos melhores. Aceito o empate porque foi um grande espectáculo para as duas equipas.
Mafra estudado durante a semana?
Balanço da 1ª volta e o facto de jogar fora de Rio Maior
Se continuarmos a ter muitas vitórias morais seguidas não será fácil sair da situação onde estamos. Não digo que tivemos aqui uma vitória moral, digo é que se dermos muito essa imagem… Tem sido algumas vezes isto e estou ferido. Não pelo processo ou pela identidade, ou pela construção que a equipa está a ter mas pelo produto final. Às vezes falta mais qualquer coisa aqui e acolá mas continuo a acreditar naquilo que faço e no grupo de trabalho. Estão a chegar reforços para dar mais competitividade a esta equipa, mais intensidade e soluções. Passámos um período a seguir ao jogo com o Chaves muito complicado pelas lesões que tivemos. Foi muito difícil para mim dar a voltar à situação neste espaço de 15 dias ou três semanas. Hoje voltei a sentir como em Chaves que a equipa foi igual a ela mesma, independentemente de quem possa ter voltado. Tenho orgulho e queremos continuar no campeonato dos pontos.
O carinho das gentes de Mafra
Disse isto às pessoas que estão comigo. Joguei nos juniores e nos seniores do Mafra, estudei em Mafra, casei em Mafra, treinei o Mafra em juniores e só depois fui para o Ericeirense. Treinei depois disso três vezes o Mafra. Esta equipa diz-me muito há muitos anos. Quero agradecer a forma simpática como fui aqui tratado. Agradeço aos dirigentes, desde o presidente ao Quim Zé e às pessoas que fazem parte da estrutura, assim como aos sócios e adeptos pela forma como me cumprimentaram.

